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Astrônomos podem ter achado “elo perdido” da evolução de buracos negros

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Um dos primeiros objetos da história do Universo é descoberto; entenda. Impressão artística de GNz7q (Foto: ESA/Hubble, N. Bartmann)

Um dos primeiros objetos da história do Universo é descoberto; entenda. Impressão artística de GNz7q (Foto: ESA/Hubble, N. Bartmann)

Imagine ter um grande achado bem debaixo do seu nariz e, mesmo assim, demorar para notá-lo? Foi isso que aconteceu com uma equipe internacional de pesquisadores que, ao avaliar dados de arquivo do telescópio Hubble, achou um misterioso ponto vermelho que pode ser a explicação do rápido crescimento de buracos negros nos primeiros dias do Universo.

Apelidado de GNz7q, o objeto avermelhado teria surgido 750 milhões de anos após o Big Bang e apresenta uma mistura de radiações atribuídas tanto a galáxias com formação estelar quanto a quasares — ambos eventos raros.

As galáxias com formação estelar atravessam um processo intenso e contínuo vindo de uma colisão com outra galáxia. Já os quasares são um tipo extremamente ativo e luminoso de núcleo vermelho galáctico, o que explica a cor refletida na imagem. O fato do GNz7q apresentar radiações típicas dos dois eventos indica que ele pode ser um link em comum entre ambos.

Para explicar a existência dessas semelhanças entre duas estruturas raríssimas do Universo em um só objeto, os estudiosos levantaram uma hipótese que foi publicada nesta quarta (13) no periódico NatureNão podendo a radiação ser somente atribuida a formação estrelar, muito provavelmente o GNz7q é um buraco negro de rápido crescimento envolto em poeira que, com o tempo, emergirá de seu casulo empoeirado como um quasar brilhante, sugerem os cientistas.

Imagem do GNz7q via Hubble (Foto: NASA, ESA, Garth Illingworth)

Imagem do GNz7q via Hubble (Foto: NASA, ESA, Garth Illingworth)

Aacredita-se que o achado seja um buraco negro de rápido crescimento por sua forma fisica e frequência emitida, que não coincide com a de galáxias. A astronomia aponta que os buracos negros de rápido crescimento começam suas vidas em núcleos envoltos de poeira galáctica antes de expelir gases e emergir como quasares extremamente luminosos. Além disso, esses corpos normalmente brilham com frequência ondas de raio-X e ultravioleta.

O GNz7q, no entanto, só brilhou na ultravioleta. A luz de raios X era invisível mesmo com dados mais detalhados do Hubble. Para os estudiosos, a falta da frequência do raio-X significa que o núcleo do disco de acreção, onde os raios X se originam, ainda está obscurecido, o que seria caracteristico de um buraco negro de rápido crescimento.

Agora o time procurará sistematicamente objetos semelhantes usando imagens de alta resolução e aproveitará os instrumentos espectroscópicos do Telescópio Espacial James Webb para estudar objetos como o GNz7q em detalhes sem precedentes. O novo telescópio poderá determinar decisivamente o quão comuns esses buracos negros de rápido crescimento são realmente, além de procurar outros corpos semelhantes.