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Atmosfera da Terra pode ajudar formação de água na Lua, sugere estudo

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A imagem mostra a distribuição do gelo da superfície no pólo sul da lua (esquerda) e pólo norte (direita), detectado pelo instrumento Moon Mineralogy Mapper, da Nasa, em 2009. O azul representa os locais de gelo e a escala de cinza corresponde à temperatura da superfície. (Foto: Nasa)

A imagem mostra a distribuição do gelo da superfície no pólo sul da lua (esquerda) e pólo norte (direita), detectado pelo instrumento Moon Mineralogy Mapper, da Nasa, em 2009. O azul representa os locais de gelo e a escala de cinza corresponde à temperatura da superfície. (Foto: Nasa)

Segundo estudo publicado em março na Scientific Reports, íons de hidrogênio e oxigênio que escapam da parte superior da atmosfera terrestre e chegam até a Lua podem ser uma das fontes da formação de água e gelo no satélite.

A hipótese foi levantada por uma equipe de cientistas do Instituto Fairbanks de Geofísica da Universidade do Alasca, nos Estados Unidos. A discussão acerca das origens da água lunar está crescendo à medida que o lançamento da missão Artemis pela Nasa se aproxima, já que a busca pela substância será uma das prioridades da expedição espacial.

“Como a equipe Artemis planeja construir um acampamento base no pólo sul da Lua, os íons de água que se originaram há muitas eras na Terra podem ser usados no sistema de suporte à vida dos astronautas”, disse Gunther Kletetschka, professor assistente da Universidade do Alasca e líder da pesquisa, em nota.

O novo estudo estima que as regiões polares da Lua possam abrigar mais de 3,5 mil metros cúbicos de permafrost superficial ou água líquida subterrânea criada por íons que escaparam da atmosfera da Terra. Isso equivale ao volume do Lago Huron, na América do Norte, o oitavo maior lago do mundo.

Além da atmosfera terrestre, cientistas indicam que outras fontes de água do satélite são a colisão de asteroides e os ventos solares, que também carregam íons de hidrogênio e oxigênio que podem se combinar e serem depositados no satélite em forma de moléculas de água.

O artigo publicado na Scientific Reports sugere que os íons de hidrogênio e oxigênio são captados para a Lua quando ela passa por uma espécie de cauda da magnetosfera do nosso planeta — o que acontece em cinco dias por mês. Medições feitas por agências espaciais do mundo todo corroboram essa hipótese, já que há um aumento significante de íons que formam água nessa região enquanto a Lua transita nesse ponto. Segundo os pesquisadores, esses íons estariam se acumulando desde o intenso bombardeio tardio, um fenômeno de intensa colisão de asteroides no satélite ocorrido há mais de 3,5 bilhões de anos.

Com os íons se combinando em moléculas, forma-se o permafrost lunar, que, por meio de processos geológicos, pode penetrar a superfície do satélite e se transformar em água líquida. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores usaram dados gravitacionais do Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, para estudar regiões polares da Lua. A missão encontrou anomalias nas medições subterrâneas de crateras de impacto que indicam a presença de rochas fraturadas que podem conter água líquida ou gelo.