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Camelos gigantes teriam coexistido com humanos e ancestrais na Mongólia

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Foto dos ossos dos pés e do metacarpo do camelo gigante achados (Foto: Frontiers in Earth Science )

Foto dos ossos dos pés e do metacarpo do camelo gigante achados (Foto: Frontiers in Earth Science )

Um estudo feito por cientistas de Rússia, Mongólia e Estados Unidos indica que camelos de quase três metros e uma tonelada conviveram com humanos e hominídeos, como neandertais e denisovanos. A pesquisa, publicada na revista científica Frontiers, também aponta os principais motivos da extinção da espécie.

A investigação começou após cinco ossos das pernas e dos pés da espécie gigante Camelus knoblochi, alguns datados de 44 mil a 59 mil anos, serem identificados na caverna Tsagaan Agui e no deserto de Gobi, ambos na Mongólia, em 2021.

As características desses ossos indicam que os C. knoblochi não eram tolerantes à desertificação pela qual a região passava na época. Esse processo teria provocado problemas de termorregulação corporal na espécie, que não se adaptou à falta de água do local e passou a competir com outros membros da fauna mongol, como hienas, burros selvagens, gazelas e lobos. Essa é a principal explicação dos autores para a extinção dos camelos, ocorrida há cerca de 27 mil anos, época em que parte da plánicie de estepe da Mongólia passou a ser dominada pelo deserto.

“Concluímos que C. knoblochi foi extinto na Mongólia e na Ásia, em linhas gerais, no final do Estágio Isotópico Marinho 3 (aproximadamente 27 mil anos atrás), como resultado de mudanças climáticas que provocaram a degradação do ecossistema da estepe e intensificaram o processo de aridificação”, explica, em nota, o paleontólogo e autor do estudo Dr. Alexey Klementiev.

Camelus ferus, espécie de camelo ameada de extinção que teria convivido com o C. knoblochi no Pleistoceno (Foto: Wikimedia Commons)

Camelus ferus, espécie de camelo ameada de extinção que teria convivido com o C. knoblochi no Pleistoceno (Foto: Wikimedia Commons)

Outra questão levantada a partir dos ossos de C. knoblochi é a convivência da espécie com humanos e hominídeos. Os restos foram encontrados em um local onde havia presença de cultura paleolítica e um metacarpo da espécie apresentava traços de violência correspondentes à caça humana — ou ao ataque de hienas.

Para os autores do estudo, isso sugere que humanos e hominídeos de anatomia mais moderna poderiam ter o hábito de caçar o camelo gigante no final do Pleistoceno, época geológica que terminou há 11,7 mil anos. Contudo, os pesquisadores ainda não encontraram evidências suficientes de que essa interação realmente ocorreu.

Uma outra hipótese dos autores é a de que a espécie gigante coexistiu com o camelo bactriano selvagem (Camelus ferus), também presente no sudoeste da Mongólia e atualmente ameaçado de extinção. A competição entre espécies pode ser uma terceira causa para a extinção do C.knoblochi.

Os cientistas ressaltam que ainda são necessárias pesquisas mais aprofundadas para determinar as causas da extinção do C.knoblochi e sua interação com seres humanos primitivos e outros animais. O estudo publicado recentemente é um pontapé promissor para estudar o assunto.