saúde

Dia da Visibilidade Trans: acolher a diversidade faz bem à saúde

226views

por Coordenação de Políticas de Promoção da Equidade em Saúde

Marcelo Sant'Anna | Imprensa MG

Marcelo Sant’Anna | Imprensa MG

Idealizada pelo movimento de travestis, mulheres e homens transexuais, foi lançada em 29 de janeiro de 2004 pelo Ministério da Saúde a campanha “Travesti e Respeito”, a primeira contra a transfobia no país. Desde então a data foi consagrada como o Dia da Visibilidade Trans, representando a luta pelos seus direitos, principalmente pelo respeito e reconhecimento de suas existências na sociedade.

A relevância do Dia da Visibilidade Trans se justifica pela exposição dessa população a “agravos decorrentes do estigma, dos processos discriminatórios e de exclusão social que violam os direitos humanos, dentre eles o direito à saúde, à dignidade, à não-discriminação, à autonomia e ao livre desenvolvimento” (Painel Temático nº5). A discriminação social acarreta diversos efeitos nocivos à saúde física e mental dessas pessoas e pode levá-las à uma condição de estresse crônico e ao isolamento social. Este cenário de vida, marcado por inúmeras dificuldades e violências, se expressa em taxas mais altas de depressão, ansiedade, tabagismo, abuso de álcool e de outras substâncias, além de um alto índice de suicídios. Uma das mais graves evidências da situação de extrema vulnerabilidade em que a população trans se encontra é o número de assassinatos cometidos contra travestis e transexuais. O Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais no Brasil em 2017, produzido pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), aponta a ocorrência de 179 homicídios relacionados à transfobia no ano de 2017. Isso significa que uma pessoa trans é morta no país a cada 48 horas.

A desvinculação a uma série de serviços de saúde e acolhimento também é um fator de agravamento da qualidade de vida e saúde das pessoas travestis e transexuais. Muitas delas deixam de procurar os serviços de saúde com receio de sofrerem discriminações e constrangimentos, criando assim uma resistência ao serviço e recorrendo à automedicação. Diante disso, é fundamental que profissionais da saúde reflitam sempre sobre a sua conduta a partir dos princípios preconizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS): universalidade, integralidade e equidade, e busquem romper com julgamentos morais e atitudes discriminatórias. Adotar uma postura aberta às diferenças humaniza e qualifica o atendimento, e possibilita a adesão ao cuidado e aos serviços de saúde.

Pensando nisso, a articulação da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) com a sociedade civil através do Comitê Técnico de Saúde Integral LGBT, conduzido pela Coordenação de Políticas de Promoção da Equidade em Saúde, possibilitou a aproximação com as pautas e necessidades dessa população, a disseminação das discussões e capacitação de profissionais de saúde das regionais do estado, bem como o fortalecimento do controle social. Um dos resultados desse trabalho foi a construção de um Webseminário sobre Saúde Integral da População LGBT, em parceria com a plataforma Telessaúde – UFMG, que pode ser acessado neste link.

Outras grandes conquistas foram as articulações que viabilizaram a habilitação do Ambulatório do Hospital das Clínicas de Uberlândia no Componente Atenção Especializada no Processo Transexualizador, e a abertura do Ambulatório Anyky Lima do Hospital Eduardo de Menezes – Rede Fhemig. O objetivo deste ambulatório é garantir o acesso à atenção especializada que contemple todas as especificidades e individualidades da população transexual e travesti, oferecendo um serviço integral de cuidado, com atendimento seguro e humanizado, respeito ao nome social, acompanhamento clínico multidisciplinar pré e pós-operatório, bem como procedimentos para hormonioterapia. A equipe é composta por psiquiatra, endocrinologista, clínico-geral, enfermeiro, psicólogo e assistente social.

Atualmente o estado de Minas Gerais não possui serviço habilitado no componente hospitalar, que inclui a realização de cirurgias e acompanhamento pré e pós-operatório. Portanto, os dois serviços em funcionamento no estado, na modalidade ambulatorial, são os seguintes:

  • Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia: o serviço atende às sextas-feiras a partir das 14:00 horas, e pode ser feito contato através dos telefones (034) 3218-2153 / 3218-2292.
  • Hospital Eduardo de Menezes – Rede Fhemig: o serviço realiza atendimentos às quintas-feiras, de 08:00hrs às 13:00hrs, e pode ser feito contato através do telefone (31) 3328-5055.

O Dia da Visibilidade Trans representa uma oportunidade importante não só para evidenciar e denunciar as inúmeras violações de direitos, mas também destacar avanços e conquistas decorrentes do engajamento de diversos atores. Todas e todos têm direito ao acesso a saúde de forma integral, humanizada e livre de toda forma de discriminação! A saúde pode ajudar a combater as transfobias e demais formas de violência contra a população LGBT, sendo promotora de cidadania.

Fonte: Blog Saúde MG