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Em 6 meses, vulcão submarino provoca 85 mil terremotos na Antártida

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Imagem da costa da Ilha do Rei George, local onde pequenas instabilidades terrestres da Orca Seamount atingiram (Foto: Wikimedia Commons)

Imagem da costa da Ilha do Rei George, local onde pequenas instabilidades terrestres da Orca Seamount atingiram (Foto: Wikimedia Commons)

Imagine descobrir que pequenas atividades sísmicas eram, na verdade, 85 mil terremotos causados por um vulcão subterrâneo. Foram esses tremores que estudiosos da Alemanha, Itália, Polônia e Estados Unidos passaram a investigar para descobrir a origem dos pequenos terremotos que atingiam a Ilha do Rei George, situada no arquipélago Shetland do Sul, na Antártida.

Publicado no dia 11 de abril, no periódico Communications Earth and Environment, o estudo de caso utilizou dados de duas estações sísmicas próximas à Ilha Rei do George e duas estações terrestres do Sistema Global de Navegação por Satélite que medem o deslocamento do solo (GNSS).

Para reconstruir a cronologia e desenvolvimento dos eventos, a equipe também analisou dados de estações sísmicas mais distantes em conjunto com informações de satélites InSAR – que usam interferometria de radar para medir deslocamento no solo. Segundo a coautora do estudo e sismóloga do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, Simone Cesca, em entrevista ao LiveScience, a junção desses dados possibilitou a criação de uma imagem dos processos geológicos que desencadearam os terremotos consecutivos.

Chamado de enxame de terremotos, termo atribuído para um conjunto de tremores consecutivos ocorridos em um período curto, esse fenômeno causado pela movimentação de líquidos na crosta da Terra provocou pequenas atividades sísmicas que ocorreram na Ilha do Rei George.

A origem do enxame está nas redondezas do monte submarino Orca, uma formação vulcânica inativa que se eleva a 900 metros do fundo do mar, a 11 quilômetros de distância no Estreito de Bransfield – uma passagem entre o arquipélago de Shetland do Sul e a ponta noroeste da Antártida.

 Ilustração da zona sismicamente ativa ao largo da Antártica (Foto: Cesca et al. 2022 - nature Commun Earth Environ)

Ilustração da zona sismicamente ativa ao largo da Antártica (Foto: Cesca et al. 2022 – nature Commun Earth Environ)

Neste local, a placa tectônica de Phoenix está mergulhando sob a placa continental da Antártida, formando uma rede de zonas de falhas que cria fendas em diversos lugares, como foi revelado em estudos anteriores. De acordo com o a nova pesquisa, o enxame se deu provavelmente por um pequeno escape de magma quente para a crosta terrestre.

Os pesquisadores estimam que a agitação teve início em 10 de agosto de 2020, registrando mais de 85 mil eventos sísmicos na região durante os seis meses seguintes.  Além disso, foi possível identificar os picos dos abalos, sendo um em 2 de outubro de 2020, com magnitude de 5,4, e outro em 6 de novembro de 2020, com magnitude 6.

Os terremotos que seguiram esses picos aparentemente conseguiram mover 11 centímetros do solo da Ilha do Rei George. Contudo, apenas 4% desse deslocamento pode ser explicado diretamente pelo terremoto. Os cientistas suspeitam que o movimento do magma quente na crosta seja o grande responsável pelo resto do deslocamento e, até o momento, nenhuma erupção vulcanica foi confirmada.