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Estudo aponta requisitos que tornam exoplanetas potencialmente habitáveis

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Estudo sugere que exoplanetas rochosos jovens, como os sete exoplanetas anãos ( imagem à cima), são mais propensos a ter características que viabilizem a vida humana (Foto: NASA/JPL-Caltech)

Estudo sugere que exoplanetas rochosos jovens, como os sete exoplanetas anãos ( imagem à cima), são mais propensos a ter características que viabilizem a vida humana (Foto: NASA/JPL-Caltech)

Publicada nesta terça-feira (3), um estudo feito por pesquisadores da Southwest Research Institute sugere que, ao contrário do que se acreditava, jovens exoplanetas rochosos são mais propensos a suportar climas temperados como o da Terra. O estudo está disponível no periódico Astrophysical Journal Letters e foi feito a partir de dados observacionais diretos e indiretos com intuito de identificar o que afetaria a capacidade desses planetas em suportar um clima temperado como o nosso. 

Atualmente, os estudos científicos em exoplanetas ainda sofrem com a falta de tecnologia que viabilize a coleta de dados importantes, como informações sobre a composição da superfície desses corpos celestes. No entanto, os estudiosos podem medir
espectroscopicamente a abundância de elementos em uma estrela ao estudar como a luz interage com os elementos em suas camadas superiores. Assim, é possível inferir do que os planetas em órbita de uma estrela são feitos.

Antes deste estudo, acreditava-se que exoplanetas que habitavam a “Goldilocks zone” (algo como zona dos Cachinhos Dourados) eram o mais adequados para esses climas, uma vez que esse trecho seria o melhor local para encontrar planetas com água líquida na superfície. Contudo, os corpos celestes e planetas que habitam esse ambiente ainda apresentavam climas inóspitos para a vida humana.

Essa inviabilização do clima pode ocorrer pelo fato de que, para alimentar um ciclo de carbono em grande quantidade, essencial à vida, é necessário que o planeta tenha calor suficiente. E, para criar essa energia em escala planetária, o decaimento dos isótopos radioativos de urânio, tório e potássio são essenciais.

“Sabemos que esses elementos radioativos são necessários para regular o clima, mas não sabemos por quanto tempo esses elementos podem fazer isso, porque eles decaem com o tempo”, conta, em nota, o Dr. Cayman Unterborn, autor de um artigo sobre a pesquisa. Além desse aspecto, Unterborn explica outros fatores para que planetas não consigam ser suscetíveis ao clima da Terra.

Um dos fatores é que esses elementos radioativos não são compartilhados pelo universo igualitariamente e, uma outra afirmação é de que os planetas, a medida que envelhecem,  se tornam mais frios.

A desgaseificação, no caso, é vulcânica, pois o dióxido de carbono é o principal gás liberado dos vulcões. Essa ação auxilia a manter o planeta aquecido e, sem essa evasão do gás, fica inviável que planetas suportem climas temperados e habitáveis como o da Terra. “Exoplanetas sem desgaseificação ativa são mais propensos a serem planetas frios e bolas de neve”, afirma, em nota, Unterborn.

Para o futuro, por conta do Telescópio Espacial James Webb, será possível fazer uma caracterização mais profunda a partir de  experimentos laboratoriais e de modelagem computacional que qualificarão o alcance razoável desses parâmetros. Essas medidas irão gerar mais conhecimento dos processos atmosféricos, da superfície e do interior de exoplanetas.