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Maior depósito de estrelas-do-mar do Império Asteca é achado no México

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Depósito de estrelas-do-mar da espécie Nidorellia armata (Foto: Meliton Tapia INAH)

Depósito contendo estrelas-do-mar da espécie Nidorellia armata (Foto: Meliton Tapia INAH)

Uma antiga oferenda contendo 164 estrelas-do-mar Nidorellia armata foi descoberta no México. Pesquisadores acreditam estarem diante do maior depósito dessas criaturas já encontrado em Tenochtitlan, a antiga capital do Império Asteca.

A descoberta foi divulgada em 14 de março pelo governo mexicano, embora oferendas de seres vivos, como caracóis e peixes baiacus, sejam alvo de investigações pela Secretaria da Cultura Federal do México desde 2019. A iniciativa faz parte do chamado Projeto Templo Mayor (PTM), do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH).

O amontoado de estrelas-do-mar foi encontrado no final de 2021 no edifício circular Cuauhxicalco, em meio aos vestígios arqueológicos do Templo Mayor, um dos principais satuários astecas. A oferenda 178, como é chamada, é considerada um caso único de conservação desses equinodermos.

As N. armata do amontoado contém partes do corpo com coloração amarronzada que lembram gotas de chocolate. Umas das primeiras estrelas que os sacerdotes astecas colocaram no amontoado afundou no que se acredita ser uma camada de fibra. Isso preservou sua estrutura interna e seus 22 cm de comprimento.

Tal acontecimento foi bastante incomum, considerando que os restos das outras 163 estrelas estavam espalhados devido a uma perda natural de matéria orgânica. “Esta oferenda é uma das maiores que encontramos no Templo Mayor, então até explorarmos os 30 ou 40 cm de profundidade que acreditamos estar faltando, é difícil saber seu significado”, conta, em comunicado, o arqueólogo Miguel Báez Pérez, que achou o depósito junto ao pesquisador Tomás Cruz Ruiz.

Espécie de estrela-do-mar Nidorellia armata (Foto: Wikimedia Commons )

Foto da espécie de estrela-do-mar Nidorellia armata (Foto: Wikimedia Commons )

A própria localização da oferenda, em uma área correspondente à sexta etapa de construção do Templo Mayor, revela que ela foi montada no ano 1500, na transição entre os reinados de Ahuízotl e Moctezuma Xocoyotzin. Fontes históricas apontam aos arqueólogos ainda que o depósito pode ter tido alguma relação com uma guerra de expansão do primeiro governante.

Outro indício disso é que o edifício Cuauhxicalco é consagrado a Huitzilopochtli, deus da guerra. Além disso, no governo Ahuízotl, os astecas estabeleceram rotas e uma expansão militar por várias partes da Mesoamérica, trazendo corais do Golfo do México, estrelas-do-mar do Oceano Pacífico e até mesmo uma onça-pintada que pode ter vindo de Soconusco, entre o atual estado mexicano de Chiapas e a Guatemala.

Báez Pérez explica que os antigos mexicanos relacionavam as estrelas-do-mar e onças com o céu noturno e a noite, sendo o felino uma imagem associada ao deus Tezcatlipoca em sua representação noturna. “Boa parte dos povos mesoamericanos acreditava que a origem do mundo estava ligada ao mar, por isso, os organismos marinhos eram tratados como relíquias”, afirma.

Os corpos das estrelas-do-mar N. armata também lembram os das onças, mas a classificação dos animais ainda continuará a ser avaliada pela pesquisa, que segue em andamento. Já a estrela especial, encontrada intacta pelos pesquisadores, será removida do amontoado do modo mais conveniente para manter a oferenda preservada.