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Pesquisa investiga causas para infecção persistente por Covid-19

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Estudo da Fiocruz avaliou incidência de suicídios na primeira onda da pandemia de Covid-19 (Foto: Heike Trautmann/Unsplash)

Pesquisa investiga causas para infecção persistente por Covid-19 (Foto: Heike Trautmann/Unsplash)

Uma equipe de pesquisadores conseguiu identificar fatores que podem causar a Covid longa, nome dado à condição em que os sintomas da Covid-19 se estendem durante meses após a infecção. Os resultados foram publicados no periódico iScience em julho.

Liderada pelos professores Tomonari Sumi, do Instituto de Pesquisa em Ciência Interdisciplinar, da Universidade de Okayama, e Kouji Harada, da Universidade de Tecnologia de Toyohashi, ambas no Japão, a equipe usou modelos matemáticos e simulações de computador para conduzir a pesquisa.

Todas as análises dos casos de Covid-19 foram feitas a partir de equações ordinárias diferenciadas. Para isso, modelos matemáticos que descrevem a persistência da infecção no corpo dos hospedeiros foram usados como simulação de infecções virais. Os modelos foram baseados em dados clínicos de pacientes diagnosticados com o Sars-CoV-2.

Os resultados apontaram casos em que o vírus não sai completamente do corpo, mesmo em quadros mais brandos da doença, podendo ocasionar futuras infecções. Esses quadros recorrentes abrem brecha para a Covid longa.

A causa de uma infecção persistente, segundo o estudo, pode ser atribuída à presença duradoura de um número suficiente de células hospedeiras a ser contaminadas. Um outro fator analisado na pesquisa foi a influência da idade e o nível de imunidade — em especial de células dendríticas, principais orquestradoras da resposta imune no corpo humano.

Para entender melhor a relação entre idade e desenvolvimento de sintomas prolongados, o time resolveu reduzir, por meio de modelos matemáticos, 10% da resposta imune dos hospedeiros e observar o que aconteceria.

O grupo conseguiu identificar um aumento drástico no quadro infeccioso. Eles observaram também que o número de células dendríticas permaneceu reduzido mesmo sete meses após o início da infecção.

Imagem do modelo matemático aplicado no estudo, nele é possível ver o aumento da infecção ( vermelho) com a menos imunidade( azul) (Foto: TOYOHASHI UNIVERSITY OF TECHNOLOGY.)

Imagem do modelo matemático aplicado no estudo, nele é possível ver o aumento da infecção ( vermelho) com a menos imunidade( azul) (Foto: TOYOHASHI UNIVERSITY OF TECHNOLOGY.)

Na análise também foi possível concluir que fatores conhecidos como “riscos comuns associados ao envelhecimento” aumentavam significativamente a produção viral dentro do corpo.

Esses riscos englobam a atividade diminuída de células com presença de antígeno e inibição da sinalização de interferência por anticorpos interferon tipo I – primeira linha de defesa antiviral. Ou seja, quando a resposta imune do corpo é baixa – algo normal em pessoas mais idosas – o risco de desenvolver os sintomas a longo prazo é maior.

A cura não está perdida

Os modelos matemáticos mostraram que o alcance de uma carga viral igual a zero é difícil de ser alcançada, uma vez que ela tem que ser representada por um ponto de equilíbrio instável. Entretanto, eles também conseguiram averiguar uma saída.

Uma forte atividade de células que apresentam presença de antígeno ou com produção de anticorpos resultaria em uma cura completa ao eliminar completamente o vírus.

Até o momento, o estudo não abordou os impactos da memória imunológica criada pela vacinação em infecções, algo que deverá ser feito nos próximos estudos.