ciência

Trayvon Martin: 10 anos do assassinato que originou o Black Lives Matters

25views
Trayvon Martin (Foto: David Shankbone via Wikimedia Commons)

Protestos pediram justiça por Trayvon Martin (Foto: David Shankbone via Wikimedia Commons)

O assassinato do adolescente negro Trayvon Martin completa 10 anos neste sábado, 26 de fevereiro. Sua morte aconteceu em Sanford, na Flórida, e é reconhecida como a raiz da criação do movimento Black Lives Matters nos Estados Unidos.

Trayvon tinha 17 anos quando foi surpreendido por um disparo de arma de fogo, enquanto andava pelas ruas do condomínio onde morava a namorada de seu pai. Era noite e ele havia saído para fazer compras no comércio local.

Quem o matou foi George Zimmerman, homem de ascendência germânica e peruana. Na época, ele trabalhava como vigilante voluntário e estava de carro quando começou a seguir a vítima. Portava uma pistola 9 milímitros.

George Zimmerman (Foto: Seminole County Sheriff's Office)

George Zimmerman (Foto: Seminole County Sheriff’s Office)

Zimmerman chegou a telefonar para a polícia local para dizer que havia identificado um rapaz que considerava suspeito. Ele disse que arrombamentos haviam acontecido recentemente na vizinhança.

“Estes cuzões [assholes, na fala original] sempre se safam”, disse o vigilante ao policial. “Você está seguindo ele?”, perguntou a voz do outro lado da linha. Ao responder que sim, Zimmerman foi advertido de que não precisava agir daquela maneira. Mesmo assim, ignorou o recado e disparou contra o peito garoto. Antes do tiro, os vizinhos ouviram gritos.

Na ocasião, o agressor prestou depoimentos e foi liberado pela polícia. Ao tornar-se pública, a morte de Trayvon Martin iniciou uma série de protestos por justiça. Fazia décadas que os americanos não viam tamanha mobilização coletiva em torno da pauta racial.

Mesmo assim, Zimmerman foi absolvido das acusações de assassinato em segundo grau e homicídio culposo, em 13 de julho de 2013. Ele alegou legítima defesa.

A revolta em torno do veredito fez surgir a hashtag #BlackLivesMatters. Ela foi inspirada em um texto da ativista Alicia Garza, que viralizou na internet. Batizado de “Carta de amor às pessoas negras”, o post fazia alusão ao julgamento e foi publicado no Facebook. Terminava com a frase “Nossas vidas importam”.

A hashtag foi, então, criada pela ativista Patricia Cullors, amiga de Alicia Garza. Dias depois, uma outra amiga e ativista, Opal Tometi, comprou o domínio ww.blacklivesmatter.com.

Capa da New York Magazine (Foto: Reprodução)

Capa da New York Magazine (Foto: Reprodução)

O grupo continuou se mobilizando em torno de assassinatos de pessoas negras, como Michael Brown e Eric Garner, ganhando cada vez mais força. Em 2015, dois anos após a fatídica absolvição, a Justiça dos Estados Unidos declarou que não encontrou evidencias suficientes para estabelecer que a morte de Trayvon Martin foi motivada por racismo.

O novo baque não fez com o que o Black Lives Matters perdesse força – pelo contrário. Em 2020, ganhou dimensões globais com os protestos originados pela morte de George Floyd.
“Eu acho que há vitórias tangíveis. Nós acabamos de testemunhar condenações como nunca havíamos visto antes”, disse Melina Abdullah, uma das diretoras do Black Lives Matters, em entrevista à ABC. Ela se refere não apenas ao julgamento do caso George Floyd, mas também ao dos assassinos de Ahmaud Arbery – jovem morto em fevereiro de 2020.